quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Alegra-te, cheia de graça!


Partilho com vocês um desejo que tenho, gostaria que o ano fosse de Outubro a Fevereiro apenas. Não sou chegado a frio, pelo contrário, adoro o calor, gosto da configuração climática e do estado de espírito que esse momento do ano provoca. Em especial, gosto das movimentações Pré-natalinas, anseio a chegada do advento para montar a árvore, ver a cidade decorada, sentir nas pessoas uma maior mobilização por serem solidárias e por se aproximarem, o significado da troca dos presentes, é claro as comidas gostosas, tudo nesse período me atrai e me faz querer vivê-lo com um intervalo de tempo até menor.

Devaneios a parte, creio que o Natal desde a sua origem seja um espaço agradável e democrático por definição. A festa da jovialidade do menino Deus, tem um destaque especialíssimo para o próprio Jesus, protagonista da festa, conta também com a atuação indispensável da jovem Maria. O ponderado adulto José e a presença dos já mais vividos reis magos e pastores da região, havia inclusive espaço para os animais que cederam a sua morada para acolher o Rei dos Reis.

O Natal é por definição uma festa que congrega, todas as idades, todos os jeitos, é a festa da simplicidade e da abertura de coração. Mas traz uma característica que me salta os olhos: o protagonismo juvenil. Por meio da criança Jesus, sim. Mas também por intermédio da adolescente Maria, que será o enfoque da nossa meditação.

Dom Rafael Cifuentes nos brindou com uma frase a que constantemente recorro: “O jovem é o milagre de poder ser tudo e o mistério de poder ser nada”. Maria foi tradução desse milagre. Ela entendeu bem o seu papel, as suas possibilidades e fez o que tinha de ser feito. Pensemos em alguns aspectos que tocavam diretamente a vida de Maria.

1 – Era bem jovem, provavelmente inexperiente; 2 – Prometida a um homem em casamento; 3 – Pertencia a uma sociedade predominantemente machista; 4 – No seu íntimo, certamente carregava sonhos e projetos.

Como bem sabemos, tudo começa com o anúncio do anjo: “Alegra-te cheia de Graça, o Senhor é contigo [...] eis que conceberá e dará a luz a um filho [...] conceberá por obra do Espírito Santo”. Como essa aparição angelical toca cada aspecto da vida da jovem?

1 – Primeiro: como ser mãe??? Peraí, como ser mãe do filho de Deus????”; 2 – Vai explicar pra José que é obra do Espírito; 3 – Como assim? Deus sempre falou predominantemente através de homens! Como o Messias virá de uma mulher? Como serei vista? 4 – O que será de mim???

É claro que quando me refiro a essas questões, faço a partir de inferências, o que tal chamado poderia despertar numa pessoa, porém, na fala de Maria só aparecem duas intervenções: 1 – Como isso se dará? ; 2 – Faça em mim, segundo a vossa vontade.

Assim começa o primeiro advento da história. Santo Agostinho diz que Maria antes de conceber Cristo no ventre, o concebeu em seu coração. A profecia do anjo: “Alegra-te cheia de Graça” não somente traduz o caminho feito por Maria para conceber Jesus, como também nos forma para uma melhor preparação para esse Natal.

Buscando outras palavras para entender essa expressão, poderíamos dizer que o anjo comunicou a seguinte ideia a Maria: Alegra-te, pois tu és a ungida por excelência. Utilizamos muitas vezes no contexto pastoral esse termo unção, na maior parte dos casos ele soa meio místico. Mas na prática, unção é ter gosto pelas coisas de Deus. Não há nada de sobrenatural nisso, mas ao mesmo tempo é totalmente extraordinário. Me explico: Não é exclusividade de alguns, não é uma sensibilidade diferente, é apenas uma abertura de coração que nos eleva para além de nós mesmos ao encontro do Senhor. Maria viveu essa dimensão, por isso foi repleta das Graças de Deus. 

Sendo repleta do Senhor, Maria viveu integralmente a dimensão da alegria. O júbilo de se reconhecer realizada com a presença do Senhor. No sim de Maria, a alegria foi fundamental para que ela ponderasse: em primeiro lugar que responder ao chamado de Deus, não lhe tiraria nada, mas daria tudo! Que embora ela tivesse sido escolhida, mérito nenhum havia nela, era presente de Deus, presente que ela acolheu de coração aberto; Por fim, ela identificou muito antes de Dom Rafael, que a juventude era o milagre de poder ser tudo. De permitir que a salvação chegasse ao mundo, de fazer prevalecer a alegria sobre o medo, sobre as inseguranças, incertezas, vaidades e qualquer outro obstáculo que pudesse se levantar.

Maria é para nós mãe e mestra, uma jovem mãe e mestra que em suma fez o que deveria ter sido feito, e assim mudou o mundo. Que concluamos esse período do advento na certeza de que somos o milagre de poder ser tudo, que se a nossa alegria e entusiasmo forem maiores do que nossos medos, inseguranças, vaidade, egoísmo e demais pedras de tropeço que temos, aí sim seremos cheios de Deus. Peçamos ao Senhor esse gosto pelas coisas dEle, para que enfim possamos cantar como Maria: “Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador.”

Meditações para o Advento 2015

Rodrigo Moco
Oficina de Valores
24/12/2015

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