terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Carta aos membros, participantes e amigos da Oficina de Valores


2016. Tanto no cenário nacional como no internacional, este ano foi um ano de muitas perplexidades. Alguns chegaram a dizer que este ano teve acontecimentos suficientes para uma década. E devemos reconhecer que vários destes acontecimentos não podem ser considerados como dignos de comemoração. Não cabe aqui listar os fatos, basta que cada um busque na memória ou nos sites de notícias quais foram as principais manchetes dos jornais...
Diante de tal situação, a sensação de impotência frequentemente gera o desespero, o sentimento de que não há mais jeito. Em decorrência de uma enxurrada de tragédias, surge aquilo que o Papa Bento XVI chamou de “déficit de esperança”.
Embora tal atitude seja, de um ponto de vista sociológico, compreensível, a realidade é mais complexa que isso. Quando a observamos atentamente, é possível perceber que junto com as sombras, que junto com a tristeza há sinais de alegria e de esperança.  E mais que isso: firmados em nossa fé, sabemos que a história tem dois níveis e que para além daquilo que se vê está Aquele que dá sentido a nossas vidas e que de todo mal é capaz de tirar um bem maior. Nas palavras de Santo Agostinho: “Não é por vermos a sociedade transtornada que devemos concluir que a história humana se encontra desgovernada”.
Tendo em vista essa certeza, nesse fim de ano pensamos que fazer memória daquilo que vivemos enquanto Oficina de Valores pode nos ajudar a perceber essa mão de Deus que cuida das pessoas e dos povos.  Julgamos que um modo de fazer isso é meditarmos atentamente sobre os temas que nossos retiros trouxeram nesse tumultuoso 2016.
Nosso retiro de carnaval teve por tema a seguinte questão: “Mestre, onde moras?” Essa pergunta que fizemos no início traz grandes lições agora no final. Mais que fazer um balanço do que foi bom ou ruim, cabe a cada um de nós buscar encontrar as muitas moradas de Deus que se apresentaram em tudo o que vivemos e em todos os que encontramos.
A partir dessa busca por encontrar e viver com o Mestre, lançamos com o tema do retiro de estudantes uma espécie de grito: “Existem razões para acreditar!”. Sim, elas existem e não são poucas. Nossa cegueira para elas é justamente o que faz com que caiamos no desânimo e no desespero.
Em nosso retiro de universitários reconhecemos que, embora as razões para crer não nos faltem, a dor e a tristeza nos interpelam.  Com G. K. Chesterton, perguntamos: “O que há de errado com o mundo?” E também com ele percebemos que o maior erro está não em nossas falhas, mas na perda da perspectiva do que é certo.
Por fim, chegamos a nosso retiro de membros e nele voltamos nosso olhar para o exemplo daquele no qual encontramos o maior dos modelos, justamente aquele que não podemos de forma alguma perder: Jesus de Nazaré.  Em suas palavras e em seus atos encontramos não só as respostas, mas começamos a descobrir as verdadeiras perguntas que cotidianamente devemos nos fazer.
No caminho da Oficina de Valores este ano, percebemos uma espécie de itinerário que acreditamos poder lançar luzes sobre nossos dramas pessoais e sociais. Esses não foram apenas temas de retiro, mas formas de Deus falar conosco, que foram para muito além dos encontros nos quais foram meditados.
Essa dinâmica de fala e escuta, essa conversa entre Deus e nós, concretizou-se de muitas formas. Na leitura do Novo Testamento proposta pelo desafio NT 365; no começo de um maior comprometimento com o outro sinalizado pelas campanhas de Páscoa e Natal em parceria com o projeto Administração, pela arrecadação de leite promovida pelos estudantes, pelas iniciativas frequentes de doação de sangue e pela festa de Natal do Centro Educacional Comunidade São Jorge; nas nossas reuniões de sábado abertas àqueles que desejam conhecer e aprofundar a fé; nos 3 grupos de formação; no FIJ e no CAMIS;  na consolidação de um caminho de pertença para os membros; nas aulas de crisma dadas na UCP; nas reuniões mensais; no contato com a Fazenda da Esperança e com a Comunidade Jesus Menino; nas missões em que tomamos parte; nos textos do blog; no aprofundamento de um carisma vislumbrado nas palavras riso, conversa e presença... E em muitos outros lugares e experiências, mas principalmente na vivência cotidiana de todos os que foram tocados por Cristo através da Oficina de Valores e em todos os que buscaram transmitir essa Presença. Em cada um estava a Oficina por inteiro, afinal a missão de um é a missão de todos.
A grande gratidão que esse ano inspira não é algo abstrato, mas muito concreto. Afinal somos gratos não a acontecimentos ou forças, mas a pessoas em concreto. A Deus, aos membros da Oficina, a todos os que participaram e ajudaram, aos padres que durante todo ano foram presença em nossas atividades, aos responsáveis pela UCP que semanalmente cedem espaço para nossas reuniões, a nosso Bispo pela orientação em momento tão oportuno...Enfim, a tantos que seus nomes não caberiam nesta carta.
Essa gratidão, no entanto, não faz com que julguemos tudo perfeito. Longe disso! Temos a certeza de que carregamos um tesouro em vasos de barro. Por isso ao lado do nosso muito obrigado, terminamos o ano dizendo: Perdão. Perdão a Deus e a todos os que foram atingidos por nossos limites e tropeços.
Junto com obrigado e perdão, a grande palavra que desejamos que 2016 tenha gravado em nossos corações é esperança. No pequeno que é a Oficina percebemos a grandeza do governo de Deus do qual Agostinho falava. Aquele governo que acontece mesmo quando tudo está transtornado. Deus age através e apesar de nós. Acreditar nessa verdade traz uma grande alegria.
E o que esperar de 2017?
Grandes coisas!
O tema de nosso primeiro retiro será Maria. E só isso já nos traz um grande sorriso. Um sorriso que vem de saber que o próximo ano já começará cuidado por mãos muito melhores que as nossas.
Com os votos de um feliz e santo Natal,
Alessandro Garcia
Julio Tavares

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